Das figuras de linguagem, uma das que mais me fascina é a metonímia. Explico: ao contrário da metáfora, que se estrutura a partir da combinação de palavras que pertençam a campos semânticos distintos, a relação metonímia se estabelece dentro de um mesmo contexto.
Explico melhor: para construir uma metáfora, basta pegar duas coisas completamente diferentes e reconhecer entre elas algum tipo de identidade. Por exemplo, aquela famosa cobrança de falta do Branco na Copa do Mundo de 1994 ficou conhecida como "A bomba santa". Enfim, foi associado o "chute forte" do jogador a um "disparo de canhão". Isso é metáfora.
Agora explico minha preferência pela metonímia: o princípio de contiguidade que a rege exige um olhar muito mais atento para estabelecer a correlação que articula o todo e as partes. Deixemos o mestre Machado de Assis nos mostrar como se faz:
"Guiomar, que estava de pé defronte dele, com as mãos presas
nas suas, deixou-se cair lentamente sobre os joelhos do marido, e as duas
ambições trocaram o ósculo fraternal. Ajustavam-se ambas, como se aquela luva
tivesse sido feita para aquela mão." (A mão e a luva, 1874 - grifos nossos)
Observemos que maravilhosa forma de colocar em primeiro plano o caráter dos personagens: ao invés de dizer que eram ambos, marido e mulher, ambiciosos, o escritor preferiu dizer que "as duas ambições" se beijaram. Por isso, então, eles se ajustavam perfeitamente como a mão e a luva. Lindo!
E para deixar tudo ainda nos membros superiores, segue uma belíssima canção de Almir Guineto e Zeca Pagodinho, na qual as mãos são também referências metonímicas para pessoas, caracteres e atitudes. Vale a pena conferir!
Observemos que maravilhosa forma de colocar em primeiro plano o caráter dos personagens: ao invés de dizer que eram ambos, marido e mulher, ambiciosos, o escritor preferiu dizer que "as duas ambições" se beijaram. Por isso, então, eles se ajustavam perfeitamente como a mão e a luva. Lindo!
E para deixar tudo ainda nos membros superiores, segue uma belíssima canção de Almir Guineto e Zeca Pagodinho, na qual as mãos são também referências metonímicas para pessoas, caracteres e atitudes. Vale a pena conferir!
Márcio Hilário.
